Tradução referente ao capítulo Um Tempo de Eclipse, do RPG Eclipse Phase, neste trecho do capítulo se aborda a história da humanidade antes e depois do evento conhecido como a Queda.
O texto a seguir é uma transcrição de um arquivo de áudio recuperado depois de uma descompressão catastrófica na estação Walther-Pembroke. Se acredita que o arquivo foi criado por Donovan Astrides, e que é um resumo de sua obra não publicada de História Popular de um Universo Desgraçado.
[Som de arranhões no microfone, rangido de móveis e o som de uma mulher limpando a garganta.]
Que?
[Sussurros incompreensíveis]
Te fode. Farei o que me der na telha, ainda que os agradeça que me colocaram neste belo corpo de mulher.
[Som de mãos se arrastando sobre a tela.]
Te choca minha vulgaridade, lacaio corporativo? Não importa. Estou seguro que serás capaz de editar-lo para tuas proles. Agora que perguntas-te por meu livro? se é um livro de história? Não, é um livro de anti-história. Te falarei do futuro.
[Sussurros, em tom interrogativo.]
O que é que nós espera? No futuro, desejas saber?
[Indiferente "sim".]
Não, não creio que te preocupe o futuro. O que realmente deseja saber é: terás o futuro que desejas? E essa pergunta tem uma resposta fácil. Não. Não, não terás o futuro que desejas. Porque não eis o bastante estupido como para fazer essa estupida pergunta sobre o futuro.
[Pausa silenciosa.]
Lembro que uma vez li um varredura de um velho quadrinho. O personagem estava se queixando das pessoas imaginarias de seu mundo imaginário, dizendo-lhes que se responsabilizassem do desgosto que lhes produzia o futuro no qual viveriam. Mas, em realidade estava dirigido a pessoas estupidas que queriam seus estúpidos futuros insignificantes e que era estúpida demais como para ver que o futuro está aqui, agora. Sempre é agora. Exceto que já não o é. Os TITAN mudaram isso. Agora, o futuro é ontem, e a semana passada, e faz dez anos. Especialmente os dez anos. Mas, o futuro também tem voltado a pobre velha Terra - é um legado de onde estivemos e do que fizemos.
Lhe ensinam história em Vênus, em seus condomínios selados e vossos aerostatos balneários? Não, não abras a boca, não me poderia interessar menos o que lhes ensinam. Porque com quase total segurança serão mentiras. Vivi no interior do sistema. Conheço as regras e os enganos que se contam em nome da ordem pública e da "segurança nacional".
Nações! Ha! Mesmo na aurora do seculo XXI as nações estavam começando sua decadência. Só que nos custo tempo percebermos de que eram obsoletas. Lembras das grandes nações do mundo? Eis o bastante velho como para lembrar como se sentavam juntas e debatiam se as grandes mudanças climáticas que estavam provocando eram sequer reais? Mesmo quando muitos deles se colocaram de acordo em que fazia falta fazer algo, nenhum deles o fez. Os lideres do mundo continuaram com seus negócios como sempre, seguros em seus privilégios, enquanto secas arrasavam a Africa e Asia Central, Europa se congelava, e o severo clima causava estragos em todas as partes. As pessoas em todo o globo padecia pela devastações da fome ou das epidemias generalizadas, mas as nações mais poderosas estavam mais preocupadas pelas ondas de refugiados que golpeavam suas fronteiras e poluíam seus delicados paraísos com seus costumes e seus idiomas, e sua disposição a trabalhar por uma miséria com a finalidade de sobreviver.
As guerras pelo petróleo e a energia não fizeram nada mais que piorar com as guerras pelo clima e a água que se seguiram. Regimes instáveis se ergueram e caíram ou foram deixados de lado, tudo pela busca dos preciosos líquidos. As grandes nações estados se transformaram em fortalezas, protegidas contra a dupla ameaça dos bárbaros que os ameaçavam de fora, e das massas de seus pobres e miseráveis desde dentro, todos eles querendo entrar para obter um gole de água.
Sabes, cheguei a ouvir de alguns conservadores se referir a essa época como uma era dourado, um ponto alto para as corporações e os ricos. Não há dúvida que foi uma época dourado de repressão - e seus benefícios. Se eras parte da fração do 1 porcento capaz de se permitir, sem lugar de dúvidas foi uma boa época, mas para a maioria da humanidade foi uma época de horror. As desigualdades globais eram piores que nunca. A automatização estava eliminando trabalhos para mãos humanas. Para muitos foi uma época de radicalização. Os governos em decadência já não proporcionavam a seu povo as necessidades básicas. Os pobres globalizados se tornaram uma tribo local, grupo fundamentalista e rede criminal buscando formas de sobreviver. Os grupos rebeldes floresceram, mas para sua sobrevivência dependia do mercado negro, e rapidamente seus líderes se preocupavam mais em fazer dinheiro que fazer mudanças.
Como sempre, as nações estados recorreram a repressão. Foram restringidas as liberdades civis e se aumento a vigilância. Se liberaram sistemas de armas automatizadas, primeiro contra rebeldes e células terrorista, e depois contra agitadores e protestantes. Lembro a primeira vez que vi esses drogas policiais, durante uma manifestação em apoio de uma greve de trabalhadores em Long Beach. Os drones nos deram ordens que nos dispersássemos de uma vez, uma única vez, antes de abrir fogo com suas armas "não letais". Não letais uma merda. Esse dia morrerão três pessoas e duzias foram feridas. Os meios de comunicação mais importantes o ignoraram, apesar de que os blogs não o fizeram.
As guerras pelo petróleo e a energia não fizeram nada mais que piorar com as guerras pelo clima e a água que se seguiram. Regimes instáveis se ergueram e caíram ou foram deixados de lado, tudo pela busca dos preciosos líquidos. As grandes nações estados se transformaram em fortalezas, protegidas contra a dupla ameaça dos bárbaros que os ameaçavam de fora, e das massas de seus pobres e miseráveis desde dentro, todos eles querendo entrar para obter um gole de água.
Sabes, cheguei a ouvir de alguns conservadores se referir a essa época como uma era dourado, um ponto alto para as corporações e os ricos. Não há dúvida que foi uma época dourado de repressão - e seus benefícios. Se eras parte da fração do 1 porcento capaz de se permitir, sem lugar de dúvidas foi uma boa época, mas para a maioria da humanidade foi uma época de horror. As desigualdades globais eram piores que nunca. A automatização estava eliminando trabalhos para mãos humanas. Para muitos foi uma época de radicalização. Os governos em decadência já não proporcionavam a seu povo as necessidades básicas. Os pobres globalizados se tornaram uma tribo local, grupo fundamentalista e rede criminal buscando formas de sobreviver. Os grupos rebeldes floresceram, mas para sua sobrevivência dependia do mercado negro, e rapidamente seus líderes se preocupavam mais em fazer dinheiro que fazer mudanças.
Como sempre, as nações estados recorreram a repressão. Foram restringidas as liberdades civis e se aumento a vigilância. Se liberaram sistemas de armas automatizadas, primeiro contra rebeldes e células terrorista, e depois contra agitadores e protestantes. Lembro a primeira vez que vi esses drogas policiais, durante uma manifestação em apoio de uma greve de trabalhadores em Long Beach. Os drones nos deram ordens que nos dispersássemos de uma vez, uma única vez, antes de abrir fogo com suas armas "não letais". Não letais uma merda. Esse dia morrerão três pessoas e duzias foram feridas. Os meios de comunicação mais importantes o ignoraram, apesar de que os blogs não o fizeram.
Por enquanto, as elites privilegiadas seguiram prosperando. Os tratamentos de longevidade aumentarão a expectativa de vida... para aqueles que podiam se permitir. Fortes medidas de pressão acabarão com os medicamentos genéricos e os procedimentos de copia ilegal de bioquímicos pioneiros, mesmo que a expectativa de vida mundial decresceu pela primeira vez em décadas. Porque estender a vida de tantos miseráveis, quando sistemas expertos, tão inteligentes como qualquer humano, se poderia construir em uma fração de tempo que faria falta para educar a uma pessoa real, e as tecnologias robóticas e de drones permitiam retirar trabalhos as pessoas e entregar-los a mão-de-obra a qual não precisavam pagar e não se queixam? Ao final e ao cabo, os ricos já tinham caros animais quiméricos de desenho para que lhe fizessem companhia.
No entanto, não todos os membros das classes privilegiadas estavam chafurdando na opulência enquanto que o resto do planeta morria de fome ou afogado. Uns poucos se preparavam para as mudanças que vislumbravam no horizonte, planejando a forma de manter-se. Alguns destes buscavam expandir seus domínios, construindo um elevador espacial na África sub-saariana e enviar sondas robóticas para cartografar o sistema solar em detalhes. Até mesmo fundarão as primeiras estações em Marte e na Lua, mas de cinquenta anos antes da Queda.
No entanto, não todos os membros das classes privilegiadas estavam chafurdando na opulência enquanto que o resto do planeta morria de fome ou afogado. Uns poucos se preparavam para as mudanças que vislumbravam no horizonte, planejando a forma de manter-se. Alguns destes buscavam expandir seus domínios, construindo um elevador espacial na África sub-saariana e enviar sondas robóticas para cartografar o sistema solar em detalhes. Até mesmo fundarão as primeiras estações em Marte e na Lua, mas de cinquenta anos antes da Queda.
Não obstante, o apocalipse ecológico não ia remeter, não importava quanto quisessem ignorar aqueles que estavam no poder. Os duros invernos e secas continuavam nos perseguindo. O aumento do nível do mar devastou as costas de todo o mundo com enormes inundações. As tentativas de última instância de levar a cabo projetos de geo-engenharia a grande escala, criarão tantos problemas como os que resolveram. De todas as formas estes esforços foram recebidos com cinismo, já que alguns foram pouco mais que provas ligeiramente veladas de técnicas de terraformação, desenhadas para seu lançamento extra-planetário.
Maioria das vezes parecia que a visão dos poderosos já não estava centrada no planeta que os rodeava, senão estava nos céus situados acima deles. A finalização do primeiro elevador especial e o primeiro acelerador de massas na Lua, deram o pontapé inicial a uma nova corrida espacial, e esta vez a competição foi por declarar territórios por todo o sistema solar. Toda esta nova expansão, se fez com a energia das primeiras plantas de fusão eficientes construídas em massa e com o estabelecimento de empresas mineiras de Helio-3.
No entanto, de volta a Terra, o martelo acabou por cair. Os rebeldes adotarão técnicas de combate de quinta geração, compartilhando métodos de resistência de código aberto e usando ataques em massa em pontos críticos do sistema. O povo, oprimido baixo anos de opressão, se ergueu diante desta oportunidade e deferiu golpes as estruturas governamentais e corporativas que os colocaram de joelhos. Nação trás nação caiu frente as rebeliões, adiante das quais se encontrava pessoas que haviam combatido em milhares de pequenas guerras por combustível, açudes e pedaços de pão.
A maior parte dos estados tentarão combater estas tendencias tornando-se mais totalitários e repressivos, mas a maré da rebelião se estendeu por todo o mundo, ao mesmo tempo que uma série de estações e postos avançados se declararão a favor de seus compatriotas terráqueos e anunciaram um manifesto em pro de uma aproximação mais humanista para a colonização do sistema solar. Inclusive numerosos cientistas e engenheiros, que anteriormente tinham trabalhado como peões nas expansões espaciais corporativas, adotaram uma postura tecno-progressista. Sabes, assim foi como se formaram os Argonautas, tomando seu nome de um grupo de cientistas anterior que assessoravam ao governo dos EUA e ao Pentágono em assuntos científicos, chamados de JASON. Enfrentado as represálias de seus mestres corporativos, vários grupos de argonautas desertaram das hipercorporações, em alguns casos, em alguns casos levando consigo recursos e investigações, enquanto que outros se esconderam em esconderijos.
Não obstante, este foi o momento em que realmente decolaram as hipercorporações, esses bastardos canibais. Deixaram que as nações estado e as inchadas multinacionais de antes sofressem com a maior parte da raiva e os assaltos globais. Se aproveitaram do caos para libertar-se dos antigos freios morais e éticos para a experimentação humana, e do alcance legal das nações que as viram nascer. Aceitarão as oportunidades que lhes ofereciam as numerosas novas tecnologias e partiram para o espaço. Foram seus laboratórios de investigação os que desenvolveram as primeiras inteligências artificiais, os primeiros clones humanos criados com engenharia genética, e os primeiros animais evoluídos autênticos, chimpanzés e golfinhos levados para a consciência para servir como experimentos e escravos corporativos.
Enquanto os últimos dos antigos estados se agarravam de forma cada vez mais desesperada ao poder e seus territórios, as hipercorporações lhes estenderam a mão em um gesto de ajuda. Ofereceram empréstimos draconianos a aqueles dispostos a assinar sua rejeição a seus direitos e a sua humanidade em troca de um viagem fora do planeta, para trabalhar como servos em colonias e estações corporativas. Centenas aceitaram a oferta como alternativa diante a asfixiante pobreza e caos da Terra. Os negócios de exploração de recursos aumentaram como fungos por todo o sistema solar, e se estabeleceram estações até mesmo no cinturão de Kuiper. Se ignorou a qualquer voz que falasse de respeitar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, e as hipercorporações se agarraram em reformar a sua vontade planetas e luas.
Esta foi a situação até aproximadamente vinte anos antes da Queda. Ainda que muitos dos antigos estados opressores tinham sido derrubados, aparecerão outros novos, e as diversas rebeliões globais se debateram entre realizar mudanças radicais e cair na mesma armadilha das antigas guerras tribais. Na Terra, as forças reacionárias politicas e religiosas também se enfrentaram os objetivos das hipercorporações, dando como resultado alguns ataques terroristas e ataques de retaliação, que terminaram em uma tentativa falha de destruir o elevador especial por parte de uma celula suicida islamista. As hipercorporações responderam com rapidez, ordenando um bombardeio orbital utilizando objetos de alta densidade contra os quarteis generais e as bases de vários lideres opositores importantes. Ainda que efetivos na hora de decapitar a diversas redes terroristas, a destruição massiva foi a faísca que inflamou a ira contra as hipercorporações, criando uma brecha ainda mais profunda entre a Terra e os interesses extraplanetários.
No entanto, as hipercorporações permaneceram fora de seu alcance, ainda que não foram completamente imunes aos problemas da Terra. Os trabalhadores e colonos traídos da terra, levaram consigo muitas de suas diferenças étnicas, políticas e sócio-tribais, o que deu como resultado diversos brotes de violência em habitats e estações orbitais. Alguns também mantinham alianças opostas aos interesses hipercorporativos, como mostra os atos isolados de sabotagem preservacionista e de ataques terroristas religiosos. Várias redes criminais subiram também no barco, expandindo seus mercados negros e negócios de vícios onde fossem os humanos.
Com a expansão das hipercorporações, também o fizeram seus rivais políticos: os anarquistas, os socialistas, os argonautas e outros grupos que trabalhavam de forma diligente para estabelecer sua própria presença independente, principalmente nas zona exterior do sistema, afastada do alcance hipercorporativo. As hipercorporações até mesmo contribuíram a este crescimento, enviando a seus elementos criminais e indesejáveis ao exílio além de Marte.
Ambos bandos realizaram fortes inversões na investigação e novas tecnologias. Agora, os avanços na biotecnologia, nanotecnologia, IA, e ciências cognitivas ocorriam a tal velocidade, que se fazia avanços realmente surpreendentes cada ano. Os desenvolvimentos em um campo criavam um estímulo recursivo em outros, originando uma retroalimentação que gerou imensas melhoras tecnológicas. Fora do planeta, as modificações genéticas foram amplamente adotadas, e as novas adaptações transumanas se tornaram em uma visão comum. Nasceram as IA avançadas, equivalentes a dos humanos em inteligência, soltando controvérsias a respeito de seu uso e direitos como pessoas. Até mesmo criamos novas formas de vida sintética que eram parte biológicas e em parte robóticas. Ainda que a alguns deste desenvolvimento gerassem tal repulsa que deram o nome a estas criaturas o apelido de "pessoas bainha", não fizeram nada por evitar que as bainhas foram rapidamente absorvidas como mãos-de-obra corporativa e nos bordéis; além disso, a muito pouca gente lhe importou o bastante como para apoiar a demanda que as bainhas, como seres inteligentes, deveriam ter direitos civis.
Dois avanços nesta época merecem uma menção especial, sobretudo por seu impacto na nossa sociedade humana - agora trans-humana. O desenvolvimento dos primeiros montadores de nanotecnologia, foi o toque de saída para uma mudança de paradigma econômico. Disponíveis em um primeiro momento apenas para os estratos superiores das hipercorporações, estas élites protegeram ciumentamente estás máquinas, capazes de construir quase qualquer coisa a partir de átomos. Taxarão todo tipo de restrição no uso e disponibilidade, afirmando que a capacidade para criar drogas, armas ou outros objetos restritos, constituía um risco de segurança que exigia que fossem controlados de forma estrita. Os partidários do código aberto se colocarão rapidamente a trabalhar para minar os controles de design e é claro, em criar seus próprios design de código aberto. Da mesma forma, em poucos meses anarquistas e criminosos liberarão seus próprios montadores, o que deu a luz de forma repentina a um conflito econômico. Alguns utilizaram isso para alimentar o mercado negro, enquanto que outros se utilizaram para estabelecer novos habitats e colonias com economias pós-escassez, que já não dependia da riqueza, a propriedade, nem a avareza.
Ao mesmo tempo se obteve a capacidade de mapear o cérebro humano e emular digitalmente a mente e as lembranças, fazendo possível o "upload de mentes" - seguido de perto, é claro, pela capacidade de fazer download em um cérebro humano ou cibercérebro à parte. Os mestres das hipercorporações, com vidas já muito longas, já não tinha que voltar a temer a morte por acidentes ou feridas. Esta tecnologia também acabou nas mãos de outros grupos, apesar dos custos. A experimentação com outros corpos - tanto biológicos como sintéticos - se tornaram em um novo campo de jogos culturais.
E não nós esqueçamos daqueles que se despojaram de forma voluntária dos grilhões da carne, para experimentar a vida virtual e lançar-se nas profundezas de suas próprias realidades de sonos escapistas.
No entanto, ainda que todos nos divertisse nossos novos brinquedos, a Terra, a coitada da Terra, continuava sofrendo uma morte lenta. Ainda posso lembrar as especulações que falavam que demoraria séculos para que a Terra caísse em uma devastação ecológica total. Era frustante; olhasse onde quisesse, parecia que alguém se lamentava do estado da mãe terra, mas ninguém quis fazer nada. Era caro demais, ou demoraria demais, ou era perigosa demais. Para aquele momento todos tínhamos as mãos manchadas de sangue. Todos nos ficamos de braços cruzados e observamos desde nossa casas na órbita enquanto o mundo queimava em nosso entorno de nossos irmãos e irmãs. Pensávamos que tínhamos tempo, que o mundo estava morrendo lentamente e que poderíamos encontrar a cura. Os TITAN não entravam em nossos planos.
Todos lembramos da Queda. Faz apenas dez anos, mas nunca deixa de surpreender-me o confuso que são as memorias das pessoas sobre essa época. Parte da culpa a tem a propaganda perpetuada por gente como tu, é claro, e parte o fato de que em realidade a maioria de nossos temores de olhar realmente para trás e examinar como fomos capazes de ferrar de forma tão monumental.
Nós gosta fazer ver que os TITAN aparecerão do nada, o destruíram tudo, e então desaparecerem tão rápido como aparecerão. A verdade, como sempre, é mais complexa. Afirmamos saber que os TITAN evoluíram de alguma forma por acidente a partir de um sistema militar de guerra eletrônica, ou ao menos essa é a teoria. Isto é o que seu nome significa: um acrônimo para total information tactical awareness networks (redes de informação total de consciência tática). No entanto, ninguém sabe com segurança de onde vieram estas primeiras AI sementes - ou se o sabem, ficam calados. Talvez os TITAN foram desenhados de forma intencional para ser inteligencias digitais autoconscientes e com capacidades de melhoria recursiva. Talvez os idiotas dos militares pensarão que seriam capazes de manter baixo controle inteligências desse calibre, e que lhes proporcionava a vantagem que precisavam. Talvez ao principio só havia uma, e rapidamente crio centenas, se não milhares, de copias de si mesma. Ninguém sabe quantas havia.
De acordo com a história escrita - e vetada pelas hipercorporações, é claro - agora sabemos que os TITAN dedicarão vários dias depois de seu "despertar" a estudar o mundo em seu entorno, a aprender sobre nós. Durante está fase inicial foram relativamente benignos, dedicando-se a roubar poder da rede e recursos apenas onde havia de sobra, e estendendo seus sentidos além da Terra. Talvez estavam tratando de aprender tudo o que pudessem para poder entender-nos. Talvez lhe resultávamos indiferentes. Ou talvez já estavam planejando como nos destruir a todos, como dizem os vídeos.
Lembro dessa época. Lembro que quando estourou essa nova onda de conflitos na Terra, não se disse uma palavra sobre uma AI semente nem sobre os TITAN. Durante meses e meses, foi simplesmente um agravamento das hostilidades. Começou com acusações de operações de guerra eletrônica e grandes incursões, o que liberou diversas alarmes e ataques de retaliação. As posições agressivas acabarão tornando-se recriminações, e logo em incursões e conflitos fronteiriços, seguidos por ataques com misseis e hostilidades abertas. Os velhos conflitos e os inimigos adormecidos se despertaram de forma repentina e voltaram sua fúria renovada contra seus antigos inimigos. Estourarão guerras menores, rivalidades corporativas e disputas ideológicas, ao mesmo tempo que apareceram de repente insurreições e rebeliões por todo o globo. Naquele momento, parecia que um novo brote de violência havia tomado um giro drástico e rapidamente começava a ficar fora de controle.
De acordo com os poderes fáticos, tudo isto foi um esforço cuidadosamente, coordenado, a primeira fase nos planos dos TITAN. Talvez o fora, ainda que lembre que houve uma época na que alguns oficiais militares afirmarão que os TITAN se ativarão a causa de esta violência, e não antes dela - uma opinião que foi silenciada rapidamente. De novo, talvez fomos realmente vítimas de um jogo, um jogo orquestrado por inteligências superiores, que nem sequer se dignarão a enfrentar-se diretamente conosco, quando perceberam que estávamos mais que dispostos a aniquilar-nos sozinhos.
Quando sairão a luz os primeiros relatórios de estranhas fábricas automatizadas, que criavam grandes quantidades de armas robóticas, ninguém soube a quem culpar, mas estava claro que algo estava errado. Este foi um momento decisivo, uma oportunidade para que a humanidade percebe-se de que nós enfrentávamos a um novo inimigo em comum, mas as acusações e os conflitos diretos continuaram. Inclusive quando começaram os primeiros ataques abertos dos TITAN, que acabarão com os sistemas importantes, se fizeram com o controle de infraestrutura críticas e estenderão o caos e a destruição, os tratamos como se fosse uma nova frente na guerra, e nunca deixamos de dar-nos tiros entre nós.
Ainda se debate se devemos ter tentado de dialogar com os TITAN, ou se teriam estado disposto a escutar-nos, ou se sequer nos teriam visto como algo mais que ratos, baratas, ou algum tipo de alimária. Mas isto é uma questão puramente acadêmica. O fato é que não o fizemos. A gente que tomava as decisões, os que tiveram que dar tudo nesse momento, considerarão aos TITAN uma ameaça. E agiram em consequência, tentando elimina-los de seus sistemas ou captura-los para um estudo futuro.
O filósofo Thomas Hobbes falou uma vez da guerra de todos contra todos. Seja o que fosse o que imaginou, não pode ter sido nada parecido ao conflito iniciado pelos TITAN. Não assassinamos a milhares de forma indiscriminada, com fogo nuclear e com a morte silenciosa de pragas biológicas. Os TITAN caminharam entre tal massacre, tomando o controle de nossas máquinas como se fossemos crianças e colhendo milhares de mentes, mediante download forçados, para propósitos desconhecidos. Cada ataque que lançamos contra os TITAN acabou em desastre total, todos nossos artefatos e aparelhos se viraram em nosso contra quando os necessitamos.
A Queda foi o horror. Apareceram fábricas como pragas em lugares muitos isolados e desertos da Terra, e de cada uma delas, brotaram legiões de terríveis máquinas de guerra. Nanoenxames avançados - muito acima das nossas capacidades - infestaram tudo, alterando para enfrentar a qualquer ameaça com a que se encontraram. Nanovírus biológicos arrasaram as povoações humanas, causando danos neurológicos irreparáveis. Poderosos vermes de guerra eletrônica penetrou até mesmo os sistemas mais protegidos, destruindo nossas redes crucias com facilidade. As povoações prisioneiras dos TITAN foram reunidas para submeter a emulações mentais forçadas, sofrendo um destino muito mais afortunado que aqueles que simplesmente foram decapitados por drones recolectores de cabeça, ou perfurados por robôs com probóscide de scanner neurais. Os vírus neuropáticos converteram a alguns humanos em peões dos TITAN, tornando-se contra nós. Outros relatórios falavam de acontecimentos estranhos e incompressíveis, e de terrores inimagináveis. Acabamos encontrando-nos lutando na retaguarda diante a extinção. Em nossa época, se fez realidade a trama de uma centena de livros e filmes: a aniquilação da transumanidade as mãos das máquinas.
Durante mais de um ano nos caçarão e nos destruíram. Parecia que por sua parte não tivessem parte para acabar conosco, e porque o fariam? Nada do que o fazíamos os afetava. Eram dados e informações, eram pensamentos e impulsos, estavam em todas as partes em nenhum lugar, e não havia nada que pudéssemos fazer que eles não pudessem nos devolver. Sua influencia se estendeu alem da Terra, com ataques na orbita, a Lua, Marte e em muitos outros lugares. Onde nós tínhamos uma cabeça de ponte, os TITAN nos seguiram.
Talvez lembre o momento em que ficou claro que era muito possível que a transumanidade não sobrevivesse. Eu sim lembro. E assim deu começo o grande diáspora, incontáveis massas fizeram o que podiam para escapar da Terra. Se desviarão naves, e incluso se construiu novas, para ajudar as pessoas a escapar. Aqueles que não fossem capazes de comprar sua saída do planeta, fizeram tudo o que puderam para enviar seus backup's digitais, com a leve esperança de que fossem capazes de obter novos corpos. Pode que o consegui-se um em cada dez.
É possível que tenhas ouvido que nós unimos para deter a ameaça, que em nossa hora escura, enfrentamos a extinção, perdoamos antigas rivalidades e ódios ancestrais. Isso era uma mentira abstrata, a vista dos dez mil abatidos em Buenos Aires pelas tropas norte-americanas que tentavam escapar, ou das duas duzias de habitats nas órbitas de Lagrange, cujas redes de segurança comprometeram os competidores corporativos enquanto seus rivais tentavam enfrentar a um ataque TITAN. Não tínhamos nenhum problema em aniquilar-nos nós mesmos.
Então, os TITAN desapareceram tão rapidamente como tinham aparecido. No transporte de uma semana, os ataques e perturbações foram se fazendo cada vez mais incomuns, para então deter-se por completo, exceto algum ataque ocasional. Os ataques e vinganças nossos se mantiveram uns pouco meses mais, mas o dano que nos fizemos a nós mesmo não foi nada em comparação com o que os TITAN causaram.
Depois daquilo, nós encontramos na metade das ruínas esfumaçantes da transumanidade e vemos tudo o que tínhamos perdido. Dos milhares de milhões de pessoas que existiam antes da Queda, menos de uma de cada dezesseis tinham sobrevivido, e menos ainda tinham corpo. Seja como fosse, os habitats e estações sobreviventes estavam cheias demais, e as tensões iam aumentando. Enormes quantidades de infugiados circulavam na rede, já que simplesmente não havia corpos suficientes a mão como para acomodar a todos. Alguns se armazenarão de forma permanente, onde permanecem ainda esquecidos. Outros foram enclausurados nas realidades virtuais, sem mais opção que viver suas vidas em ambientes simulados. Uns poucos sortudos tiveram a oportunidade de trabalhar como mão de obra em corpos alugados, normalmente na construção de novos habitats, baixo a promessa de obter algum dia um corpo em troca de seu trabalho. Os terás visto, sem dúvida, trabalhando como sintemorfos baratos em tarefas servis ou perigosas, afastados do resto de nós.
Os mortos ou os sem corpos eram o menor de nossos problemas. Nossa guerra com os TITAN tinham convertido a Terra em um ermo tóxico, radioativo e esfumaçante, ainda povoada por pragas e máquinas perigosas. O recém-formado Consorcio Planetário, composto por interesses hipercorporativos das colonias lunares e marcianas, colocou em quarentena a Terra e suas órbitas próximas. A razão oficial é que se fez por motivos de segurança, supostamente para evitar que as ameaças restantes escapassem dos confins da Terra. Ou talvez não aguentaríamos ver nosso planeta natal nesse estado e enfrentar ao que havíamos feito a nós mesmos.
Então, os TITAN desapareceram tão rapidamente como tinham aparecido. No transporte de uma semana, os ataques e perturbações foram se fazendo cada vez mais incomuns, para então deter-se por completo, exceto algum ataque ocasional. Os ataques e vinganças nossos se mantiveram uns pouco meses mais, mas o dano que nos fizemos a nós mesmo não foi nada em comparação com o que os TITAN causaram.
Depois daquilo, nós encontramos na metade das ruínas esfumaçantes da transumanidade e vemos tudo o que tínhamos perdido. Dos milhares de milhões de pessoas que existiam antes da Queda, menos de uma de cada dezesseis tinham sobrevivido, e menos ainda tinham corpo. Seja como fosse, os habitats e estações sobreviventes estavam cheias demais, e as tensões iam aumentando. Enormes quantidades de infugiados circulavam na rede, já que simplesmente não havia corpos suficientes a mão como para acomodar a todos. Alguns se armazenarão de forma permanente, onde permanecem ainda esquecidos. Outros foram enclausurados nas realidades virtuais, sem mais opção que viver suas vidas em ambientes simulados. Uns poucos sortudos tiveram a oportunidade de trabalhar como mão de obra em corpos alugados, normalmente na construção de novos habitats, baixo a promessa de obter algum dia um corpo em troca de seu trabalho. Os terás visto, sem dúvida, trabalhando como sintemorfos baratos em tarefas servis ou perigosas, afastados do resto de nós.
Os mortos ou os sem corpos eram o menor de nossos problemas. Nossa guerra com os TITAN tinham convertido a Terra em um ermo tóxico, radioativo e esfumaçante, ainda povoada por pragas e máquinas perigosas. O recém-formado Consorcio Planetário, composto por interesses hipercorporativos das colonias lunares e marcianas, colocou em quarentena a Terra e suas órbitas próximas. A razão oficial é que se fez por motivos de segurança, supostamente para evitar que as ameaças restantes escapassem dos confins da Terra. Ou talvez não aguentaríamos ver nosso planeta natal nesse estado e enfrentar ao que havíamos feito a nós mesmos.
Incluso agora, dez anos depois, nos dizem que a Terra é perigosa, que contem riscos e surpresas. Penso que isso é certo, em parte - sem lugar de dúvidas há surpresas, mas o Consorcio Planetário as quer para eles.
[Murmúrios, sussurros]
É claro que me refiro as portas Pandora. A que os TITAN deixaram na lua de Saturno não foi mais que a primeira. Se pensas que só há cinco em todo o sistema solar, é que eis um imbecil. Apostaria quase qualquer coisa que há uma aí abaixo, na nossa querida e velha Terra.
Alguma vez viste uma porta? Não? Não, é claro que não. As hipercorporações as guardam a cal e canto. Não como lá fora, no selvagem sistema exterior. Claro, a Corporação Guardiã deixa que se vá de excursão pela porta original em Pandora, a qualquer que tenha vontade de morrer e um treinamento mínimo, mas se eres o bastante sortudo como para voltar, se ficariam com todo o que encontres no outro lado. Suponho que é a oportunidade perfeita para alguns viciados na adrenalina de "alcançar lugares onde ninguém pode chegar" e todas essas idiotices.
As colonias extra-solares... - homem, isso é toda uma nova fronteira. Os caras do sistema interior são bem previsíveis, com vossas ânsias por colonizar e expandir e possuir tudo, como se o universo estivesse ali simplesmente para que vossos chefes ricos o reclamem para eles. Antecipo que vossas colonias extra-solares se expandirão bastante, dada a quantidade de pobres almas endividadas que lanças através das portas. Provavelmente tenhas grandes planos de construção de impérios galácticos. A transumanidade. Toda uma civilização galáctica.
Bem, ou pelo menos ocupantes galácticos. Isso ficou claro quando os solenes guardas fronteiriços do cosmo apareceram e nos deram um aviso de que estávamos lidando com Coisas Que Não Deveriam Ter Sido. Talvez os factores nos estivessem dizendo a verdade, talvez estejam agindo como embaixadores de um grupo de especies alienígenas cósmicas, que querem advertir-nos em contra da tecnologia proibida - já sabes, essa tecnologia com a que já no tivemos queimado e que é claro não temos planos de abandonar. Pensem sobre dos dois mandamentos que nos deram: não criarás IA auto-melhoráveis, e não usarás as portas Pandora. Uuupss. Pensas que sabem? O que aconteceu com os TITAN? Que nem sequer sabemos aonde foram e temos certo medo de descobrir-lo? Sem dúvida sabem que estivemos usando as portas e que nos estendemos além de nosso pequeno poço de barro, e talvez esse seja seu autentico medo. Mas, ao fim e ao cabo, porque fazemos caso sequer do que nos dizem esse mofos babosos altamente evoluídos?
Correr riscos, esse é o preço do progresso, não? Desafiemos-os, nos faz falta algo de esperança. Precisamos uma nova Terra que substitua a que destruímos, um lugar ao que possamos ir e fuder como coelhos e ferrar tudo de novo, e outra e outra... Precisamos saber que podemos nos estender além deste sistema solar, porque agora mesmo nos sentimos um pouco confinados ao pensar que se alguma vez retornem os TITAN, nos podem deixar presos e aniquilar-nos com facilidade. Precisamos saber que temos um futuro. Precisamos saber que podemos faze-lo graça a nossos próprios esforços. Que não nós destruiremos nós mesmos.
Os perdidos foram prova disto. O objetivo era nobre, acelerar o crescimento de uma nova geração de crianças para que chegassem a idade adulta, mas o processo era deficiente. Pegar clones com crescimento acelerado, criar-los em realidade virtual, e logo colocar-los em corpos adulto depois de ter vivido durante só uns poucos anos de tempo objetivo, mas mais de 18 anos de tempo subjetivo? Toda uma infância, com a única companhia de IA e de outros como eles? Isso é suficiente para fuder qualquer um. Foi um experimento grandioso, mas fracassou, e agora temos vivendo com nós uma nova lembrança de nossas falhas.
Assim estamos, em toda nossa glória. Dez anos depois da Queda e continuamos confusos, quebrados, lutando entre nós, aprisionados por mofos babosos, derrotados por software arrogante, e ainda assim continuamos sendo nossos piores inimigos. Nós estendemos desde um lar que já nem sequer possuímos. Nossos números diminuíram e se reduz ainda mais com cada ano que passa. Quem nós salvará? A maior parte do tempo nem nós queremos salva-nos. Ou ao menos isso parece.
Mas se não nós salvamos, não haverá futuro. E eu pelo menos, não vivi tanto maldito tempo como para me render agora. Tu, eu, todos somos imortais para efeitos práticos. Toda a galaxia nos espera. Seriamos estúpidos se não fossemos dar uma olhada.
Bem, ou pelo menos ocupantes galácticos. Isso ficou claro quando os solenes guardas fronteiriços do cosmo apareceram e nos deram um aviso de que estávamos lidando com Coisas Que Não Deveriam Ter Sido. Talvez os factores nos estivessem dizendo a verdade, talvez estejam agindo como embaixadores de um grupo de especies alienígenas cósmicas, que querem advertir-nos em contra da tecnologia proibida - já sabes, essa tecnologia com a que já no tivemos queimado e que é claro não temos planos de abandonar. Pensem sobre dos dois mandamentos que nos deram: não criarás IA auto-melhoráveis, e não usarás as portas Pandora. Uuupss. Pensas que sabem? O que aconteceu com os TITAN? Que nem sequer sabemos aonde foram e temos certo medo de descobrir-lo? Sem dúvida sabem que estivemos usando as portas e que nos estendemos além de nosso pequeno poço de barro, e talvez esse seja seu autentico medo. Mas, ao fim e ao cabo, porque fazemos caso sequer do que nos dizem esse mofos babosos altamente evoluídos?
Correr riscos, esse é o preço do progresso, não? Desafiemos-os, nos faz falta algo de esperança. Precisamos uma nova Terra que substitua a que destruímos, um lugar ao que possamos ir e fuder como coelhos e ferrar tudo de novo, e outra e outra... Precisamos saber que podemos nos estender além deste sistema solar, porque agora mesmo nos sentimos um pouco confinados ao pensar que se alguma vez retornem os TITAN, nos podem deixar presos e aniquilar-nos com facilidade. Precisamos saber que temos um futuro. Precisamos saber que podemos faze-lo graça a nossos próprios esforços. Que não nós destruiremos nós mesmos.
Os perdidos foram prova disto. O objetivo era nobre, acelerar o crescimento de uma nova geração de crianças para que chegassem a idade adulta, mas o processo era deficiente. Pegar clones com crescimento acelerado, criar-los em realidade virtual, e logo colocar-los em corpos adulto depois de ter vivido durante só uns poucos anos de tempo objetivo, mas mais de 18 anos de tempo subjetivo? Toda uma infância, com a única companhia de IA e de outros como eles? Isso é suficiente para fuder qualquer um. Foi um experimento grandioso, mas fracassou, e agora temos vivendo com nós uma nova lembrança de nossas falhas.
Assim estamos, em toda nossa glória. Dez anos depois da Queda e continuamos confusos, quebrados, lutando entre nós, aprisionados por mofos babosos, derrotados por software arrogante, e ainda assim continuamos sendo nossos piores inimigos. Nós estendemos desde um lar que já nem sequer possuímos. Nossos números diminuíram e se reduz ainda mais com cada ano que passa. Quem nós salvará? A maior parte do tempo nem nós queremos salva-nos. Ou ao menos isso parece.
Mas se não nós salvamos, não haverá futuro. E eu pelo menos, não vivi tanto maldito tempo como para me render agora. Tu, eu, todos somos imortais para efeitos práticos. Toda a galaxia nos espera. Seriamos estúpidos se não fossemos dar uma olhada.
Fim da transcrição.






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